março 17, 2017

Choques de Lucidez #6 - Resiliência, Capacidade de Sobreviver às Intempéries da Existência

A Rubrica Choques de Lucidez traz-nos mais um tema muito interessante para reflectirmos.

A Resiliência é a capacidade de um material suportar tensões, pressões, intempéries e adversidades.
É a qualidade de se esticar, de ser elástico, de assumir formas e contornos para manter a própria integridade, de preservar a anatomia e manter a essência.

No seio da Psicologia, a resiliência é geralmente atribuída a processos que explicam a «superação» de crises e adversidades em indivíduos, grupos e organizações (Yunes & Szymanski, 2001: Tavares, 2001). É um conceito relativamente recente no campo da psicologia pela comunidade cientifica.


Resiliência


O fenómeno da psicoadaptação,reflecte a capacidade de suportar a dor, de transcender ou contornar obstáculos, de gerir conflitos e de nos adaptarmos a mudanças psicossociais.

Este fenómeno está inteiramente ligado com a resiliência, termo que só começou a ser utilizado a partir de 1998, sendo que, o grau de resiliência depende portanto, do grau de adaptabilidade e da capacidade de superação de cada ser humano perante os acontecimentos adversos com que se depara no seu traçado existencial, ao longo da sua jornada de vida.

Já ouviram falar do suicídio imaginário??


Resiliência
Fonte: http://www.fatosdesconhecidos.com.br/adeus-confira-em-portugues-carta-de-suicidio-de-kurt-cobain/


Uma pessoa que possua um baixo grau de resiliência, suporta inadequadamente as adversidades e as crises, podendo vir a sofrer de depressão, pânico, ansiedade e de sintomas psicossomáticos. 

Quando a resiliência é inadequadamente decifrada e desenvolvida nos indivíduos, as dores e perdas podem levar ao suicídio.
Quando falo em suicídio imaginário, refiro-me ao desejo que as pessoas sentem em desaparecer, de dormir e não voltar a acordar. Por outro lado, temos o suicídio físico e o psíquico, que se concretizam no alcoolismo, na dependência de drogas, em comportamentos autodestrutivos e no auto-abandono.

Sem sombra de dúvida que há «crises» e «crises». Algumas são dramáticas, provocando uma dor indecifrável. Mas em todas elas podemos aplicar a resiliência, que, por sua vez, está estritamente ligada coma a gestão do intelecto, especialmente à gestão de pensamentos mórbidos, à construção de janelas paralelas e à reedição do inconsciente.

As capacidades de adaptabilidade e de superação do que nos acontece na vida dependem muito mais da aprendizagem e menos da carga energética. A aprendizagem pode ser espontânea ou promovida pela educação, algo que é manifestamente difícil na sociedade superficial em que vivemos e que apenas nos prepara para o sucesso.
O que acontece no nosso sistema educacional no mundo inteiro é que o mesmo nos ensina a estudar o imenso espaço que nunca pisaremos, em vez dos desafios e das contrariedades existenciais.

A falta de sentimento de culpa gera psicopatas, seres humanos insensíveis, enquanto o seu excesso gera hipersensibilidade.

Alguns estudiosos reconhecem a resiliência como um fenómeno comum e que está presente no desenvolvimento de qualquer ser humano (Masten, 2001). De facto, todos possuímos o fenómeno da psicoadaptação no nosso psíquico. 
Sem este fenómeno, uma mãe jamais suportaria a perda de um filho, uma criança não sobreviveria aos actos de violência sujeitos na infância, e um adulto não sobreviveria a vergonhas e humilhações sociais, perdas de emprego e crises financeiras que lhe vão acontecendo ao longo da vida. 

A dor, as derrotas e as lágrimas devem ser sempre evitadas, mas ninguém vive continuamente sob um céu sem nuvens.

Muitas vezes lembro-me do meu passado e confirmo sempre com humildade que a vida é cíclica. Vales e montanhas sucedem-se.

A humilhação de hoje pode converter-se na glória de amanhã, e a glória de hoje pode converter-se na humilhação de amanhã.

Nada é totalmente seguro na existência humana. Devemos valorizar a vida muito mais que o sucesso, os aplausos e o reconhecimento social.

Vivemos tempos complicados nesta sociedade ansiosa. Os tempos mudaram.

Normalmente eu dou liberdade às pessoas que de alguma forma me feriram, dizendo com elegância: "Se não gostas de mim, eu gosto"; "Se não me amas, eu amo-me. Sê feliz, porque eu lutarei por mim e procurarei ser mais feliz do que era."

Devemos aprender a escrever nos dias mais dramáticos da nossa existência os capítulos mais importantes da nossa história.


Resiliência
Fonte: http://namaladamalu.blogspot.pt/2015/11/uma-historia-de-superacao-esta.html

(texto adaptado do livro Código da Inteligência de Augusto Cury)
Resiliência