dezembro 22, 2016

Choques de Lucidez #3 - O medo de reconhecer os próprios erros

O medo de reconhecer os próprios erros é acima de tudo o medo de se assumir como ser humano com as suas próprias imperfeições, defeitos, fragilidades, idiotices e incoerências. Formamos a nossa personalidade numa sociedade superficial que esconde a nossa humanidade e sobrevaloriza o nosso endeusamento.

Quem brilha hoje, pode cair em desgraça amanhã, para que outro o substitua. 
O pódio é cíclico, não há espaço para dois lugares.

Se pensarmos, apenas uma minoria ganha um Óscar, o Prémio Nobel, um Grammy. Uma minoria converte-se num ícone social e profissional. E ainda que nunca sejamos ícones, podemos revolucionar o ambiente em que estamos inseridos anonimamente.

Numa sociedade em que se valoriza os super-heróis, negamos conscientemente ou inconscientemente a nossa humanidade. 

Temos medo de assumir o que realmente somos: seres humanos, mortais, falíveis e demasiado imperfeitos.




Errar é humano, mas eu não admito os meus erros

A energia gasta pela necessidade neurótica de sermos perfeitos é imensa e esmaga o prazer de viver.
A nossa liberdade não pode estar à venda por preço algum, mas vendemos-la por ninharias e trocamos-la com uma incrível facilidade.

Quando alguém nos aponta um erro, mudamos de cor e de humor. Quando alguém tem uma atitude estúpida, ficamos indignados. E nas relações em que o poder é desigual, a situação ainda é mais complicada. Quando um paciente corrige um psiquiatra gera um escândalo. 

Nas relações desiguais, o vírus do orgulho contagia em fracções de segundo o cérebro daquele que se considera superior, levando-o a silenciar a voz do
 que está numa posição inferior. Tais reacções são doentias, pois não há psiquiatra, executivo e progenitor que não falhe.

Quem usa a relação do poder para impor as suas ideias não é digno do poder de que está investido.


Há pessoas educadas que nos primeiros cinco minutos de uma conversa são agradabilíssimas e parecem seres angelicais, mas conviver com elas é um tormento. Tecem mil argumentos para sustentar as suas atitudes. Nunca reconhecem que cometem erros, nem nunca pedem desculpa.
Sugam a energia vital dos outros porque falam muito e procuram concentrar em si mesmas toda a atenção.

Muitos não sabem que falar de si próprio e reconhecer os seus erros é altamente relaxante, reconfortante e agradável. A sociedade estimula-nos a ser deuses mas tentar ser um é altamente desgastante e deprimente.

Reconhecer as nossas fragilidades, entrar em contacto de uma maneira nua e crua com a nossa realidade não constitui apenas um passo fundamental para oxigenar a inteligência ou superar os nossos conflitos, mas serve também para mergulharmos nas águas do descanso e para bebermos das fontes mais excelentes da tranquilidade. 



(Texto adaptado de: O código da Inteligência by Augusto Cury)